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Eu não gosto de conversar no ônibus

É um habito universal, não importa onde estejam, a época do ano ou a idade: as pessoas gostam de puxar papo nas filas. Seja na fila do mercado, do banco, do hospital; se há duas ou mais pessoas, alguém irá puxar conversa – para não falar dos casos em que o maluco resolve falar sozinho.

A cultura do small talk está impregnada tão profundamente no nosso dia a dia que todo indivíduo que se recusa a fazer parte dela é, automaticamente, taxado como mal educado. E vá explicar pra Dona Cotinha que NÃO é falta de educação não querer conversar quando se está morrendo de dor de barriga na sala de espera de um hospital público de qualidade extremamente duvidosa. É quase como uma obrigação socializar com estranhos em locais de convívio publico.

Talvez eu esteja sendo ranzinza e reclamão, mas devo deixar claro que isso vai contra uma da coisas mais enraizadas em mim pela minha educação e que, eu tenho certeza, a Dona Cotinha brigou muito para conseguir fazer seus filhos e netos aprenderem: não fale com estranhos.

“Mas isso é coisa que se ensina para crianças, adulto não precisa disso.”
Pode ser, eu não ligo. Não me sinto à vontade falando com estranhos e não é o sorriso sem dentes da Dona Cotinha que vai mudar isso em mim.

Aliás, não sei se vocês tem ciência disso, mas a incapacidade de se sentir desconfortável na presença de estranhos não é uma habilidade social, mas uma deficiência. As pessoas têm programadas em seu cérebro, por padrão, se sentir desconfortáveis na presença de estranhos. Tomemos como exemplo o elevador: você está subindo para sua casa, se um estranho entrar, naturalmente ambos esquivarão o olhar e evitarão se encarar por toda a viagem – a excessão é aquela vizinha gostosa da qual não dá pra tirar o olho (o mesmo vale pro vizinho sarado). Somo programados para acreditar que ao cruzar olhares estamos desafiando/sendo desafiados pelo outro. Mesmo no ônibus evitamos os olhos dos outros e tentamos nos encolher junto á parede para evitar qualquer tipo de contato com estranhos.

Falando em ônibus, tem sempre alguém para puxar conversa com você quando está ouvindo música. Talvez as pessoas de mais idade não entendam isso, mas é conhecimento comum que a utilização de fones de ouvido (headphones, headsets, intraears e afins) é sinônimo universal de “não perturbe”. Alguém aqui discorda? E vá explicar pra Dona Cotinha que você quer ser deixado em paz enquanto ouve sua música no busão?

“Ok, mas quem diabos é Dona Cotinha?”
Minha vizinha de corredor. Não, ela não é a vizinha gostosa. Aliás, acredito que não existam mulheres gostosas no meu condomínio, mas não é essa a questão. A questão é que a Dona Cotinha é uma vizinha over simpática que gosta de falar com todo mundo no elevador e no ônibus, que não entende o conceito de privacidade dos fones de ouvido e possui um cachorro SAFADO que gosta de invadir meu apartamento só pra mijar no sofá.

Revisão: Nádia Silveira @axl_rosie

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