Eu não acredito no mundo subterrâneo

Tinha tudo para dar certo: Tim Burton, Johnny Depp, Anne Hathaway e uma história incrível de contexto sombrio e anarquico. Mas não deu.

Estaria mentindo se dissesse que odiei o filme, mas estou, ao mesmo tempo, longe de ter adorado. Junto com a roteirista Linda Woolverton, Burton falha ao tentar fazer o que seria a parte mais importante da trama: transportar o espectador para o mundo fantasioso do País das Maravilhas, jogando imagens bonitas na cara de quem está assistindo sem realmente tentar fazer com que sentíssemos o que os personagens sentem.

A história se passa 13 anos após a primeira aventura de Alice (Mia Wasikowska) pelos país das Maravilhas, aqui chamado de Mundo Subterrâneo. Agora com 19 anos, a jovem possui uma linha de pensamento que não exatamente agrada as pessoas a sua volta. Se vendo em meio a uma proposta de casamento a jovem foge e, sem perceber, segue o coelho de casaco até o País das Maravilhas, que está sob o comando da Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter).

Em sua redescoberta deste mundo ela acaba encontrando com personagens familiares como o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp), o Gato (com a voz de Stephen Fry) e a lagarta Absolom (voz de Alan Rickman), e não tão familiares como o Valete (Crispin Glover).

Uma das melhores coisas do longa é o Chapeleiro Maluco, tanto em sua interpretação, quanto em seu visual, levando-nos a realmente sentir algo pelo Chapeleiro, que passa de momentos de absoluta loucura para pontas de moderada melancolia. O chato é que todos os traillers e posteres promocionais nos passam uma imagem errada de que o Chapeleiro teria uma participação maior no filme, o que não acontece…

Em contra partida a interpretação extremamente afetada e cheia de “cacos” de Anne Hathaway, como a Rainha Branca, passa por momentos de bizarrice a chega a alcançar o medonho, com trejeitos extremamente forçados para a personagem, que acaba passando por mais uma figura que não cativa.

Já a química existente entre Helena Bonham Carter e Crispin Glover é algo que realmente vale a pena: nos papeis de Rainha Vermelha e Valete a pseudo relação mantida entre os dois trás tons de graça e são alguns dos poucos momentos do filme em que a diversão ultrapassa os limites do tédio.

Com um roteiro arrastado e muito focado em transformar Alice mais em uma Choosen One do que em uma figura carismática que nos transmite seu medo do desconhecido o filme falha de maneira feia em nos manter presos a história.

Até mesmo a trilha sonora promocional do filme, que poderia ter mudado drasticamente o ritmo da história foi desperdiçada, sendo apenas utilizada nos créditos, com Almost Alice, por Avril Lavigne.

É realmente uma pena ver um dos filmes mais esperados do ano acabar assim, em uma poça de marasmo.

Caio desejou ter caído numa toca de coelho depois de ter assistido esse filme…

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3 Comentários

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3 Respostas para “Eu não acredito no mundo subterrâneo

  1. Cara pela crítica nem vou assistir em 3D… pq seria WASTE demais…. Bom vamos ver no que dá esse filme aí!!!!

  2. Rosie

    Eu curto muito ler críticas sobre filmes para comparar com as minhas próprias opiniões. Só que neste caso, acho que não tenho muito -if at all- a adicionar. =3

    Acho muito triste quando existe tanto potencial para algo tão lindo e revolucionário… E o resultado sai, “meh”.

    Acho que existe uma preocupação tão grande em agradar o maior público possível que as vezes as idéias mais extraordinárias são deixadas de lado, sei lá, talvez por “prudência”. ó_o

    Por exemplo, senti que faltou muito do Tim Burton no Alice (encurtar o nome ftw). Não tanto nos personagens, mas no enredo em si, no ambiente… Esperava algo mais deliciosamente sombrio, quem sabe um páreo para American McGee’s Alice~? 😀

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